Núcleo de Decoração da Bahia

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LISBOA, UMA CIDADE MULTI-FACETADA


Ela já foi chamada de "Olisipo", palavra de origem fenícia que significa "porto seguro". Já os árabes de origem moura, que a dominaram por mais de 400 anos, a batizaram de "al-Lixbûnâ" expressão que, segundo os estudiosos, remete a "luz boa". Mas foi sob a denominação latina de Lisboa, que a capital do mundo lusófono se tornou mundialmente famosa e serviu de base para a expansão dos domínios do mundo Ocidental para as terras de além mar. Localizada no estuário do Rio Tejo e banhada pelo Oceano Atlântico, a maior cidade de Portugal sobreviveu incólume a um terremoto no ano de 1755. A catástrofe natural teve impactos devastadores sobre a então nascente metrópole. Porém a destruição abriu caminho para que o Marquês de Pombal e a sua equipe de arquitetos e engenheiros redefinissem o traçado medieval da cidade. A atitude vanguardista de séculos atrás reflete até os dias atuais, num centro urbano cosmopolita e que recebe milhões de visitantes todos os anos. Seja bem-vinda a Lisboa, a cidade de onde partiram os nossos "descobridores".

HISTÓRIA E MODERNIDADE

Um passeio por Lisboa revela muitas surpresas. A capital de Portugal mistura história e modernidade na medida certa. "Por todos os lados que se olha é possível ver história. Mas a modernidade surge de forma surpreendente e sem destoar do antigo", conta o jornalista baiano Carlos Andrade que já visitou a cidade 17 vezes. De um lado o Mosteiro dos Jerónimos, datado do século XVI, é considerado o maior marco da arquitetura manuelina. Construído num complexo formato geométrico, o prédio é rico em elementos decorativos que remetem à navegação, animais exóticos e plantas. Do outro lado, no mesmo distrito do edifício religioso e a margem do Rio Tejo, está a Torre de Belém. O monumento, cuja arquitetura segue influências mulçumanas e orientais, foi utilizado na antiguidade como base de defesa da costa e posteriormente como prisão. Ambas as construções são abertas ao público e recebem todos os anos milhões de turistas.
Também no distrito de Belém está o Monumento aos Descobrimentos. Reconstruída em 1960 a estrutura, de traços contemporâneos, homenageia os desbravadores portugueses que se aventuraram na Antiguidade em busca de novas civilizações. Ainda por ali é possível ver a Ponte 25 de Abril que, em formato pênsil, completa a paisagem ligando Lisboa ao município de Almada. A badalação também tomou conta de um dos mais antigos bairros da capital portuguesa, o Bairro Alto. Construído no século XVI, o distrito é composto essencialmente de construções históricas que hoje abrigam bares, restaurantes, hotéis de charme e casas de fado. Localizado numa pequena viela do bairro, o Restaurante Baiúca é uma das melhores opções para se saborear a típica culinária portuguesa. A proprietária, Dona Júlia, recebe os clientes com as famosas torradas amanteigadas, um dos pratos carro-chefe da casa. Ali também está um dos hotéis mais sofisticados de Lisboa, o Bairro Alto Hotel. Localizado num prédio original do século XVIII, o empreendimento possui decoração elegante, serviço impecável e faz parte do grupo dos 200 hotéis mais luxuosos do mundo.
Mas e a modernidade? Sem sombra de dúvidas o maior expoente deste estilo na cidade é o Parque das Nações. Construído em 1998 por advento da Exposição Mundial – "Expo 98" – o complexo arquitetônico representa a Lisboa do Século XXI. Entre as construções da área, destacam-se o Oceanário, o Pavilhão Atlântico – local onde se realiza o evento musical "Rock in Rio Lisboa" -, a Torre Vasco da Gama, a Ponte Vasco da Gama – a mais longa da Europa - e a estação ferroviária Gare do Oriente. "Uma visita ao Parque das Nações toma praticamente o dia todo. Não deixe de visitar o Oceanário, utilizar o teleférico e apreciar as diversas obras de arte que estão no parque", recomenda o agente de viagens pernambucano Marcus Neves. Para refrescar o passeio faça um pit stop na cervejaria "Lusitana" que possui em seu cardápio mais de 50 rótulos da bebida. Se preferir algo mais descolado faça uma visita ao "Já Te Disse Bar" que é freqüentado por uma moçada mais jovem que lota as mesas de bilhar da casa.

ARREBALDES PRECIOSOS

As cercanias de Lisboa possuem cidades que são verdadeiros tesouros históricos e arquitetônicos. Localizada a 25 quilômetros da capital, a vila de Mafra é sede da maior construção do barroco português, o Palácio Nacional de Mafra. Construído em 1717 por iniciativa do então rei João V, e edifício mistura elementos arquitetônicos de palácio e convento. 600 salas, 5.200 portas e janelas são alguns dos elementos da construção, que ainda conta com uma imponente basílica cuja cúpula possui 57 sinos e afrescos do escultor italiano Alessandro Giusti. Outro destaque do prédio é a biblioteca que possui cerca de 40.000 títulos, incluindo uma segunda edição de "Os Lusíadas", obra escrita pelo poeta e escritor português Luís de Camões. Distante oito quilômetros de Mafra está à freguesia de Ericeira. Com alto potencial turístico e tendo o mar como fonte inspiradora, a vila de pescadores já serviu de base para expedições dos povos fenícios que povoaram a Península Ibérica na Antiguidade. A cidade é conhecida no país por sediar importantes eventos religiosos como as romarias de Nossa Senhora da Conceição e de Nossa Senhora da Boa Viagem. Por toda a extensão da orla de Ericeira, restaurantes oferecem preparos a base de peixes e mariscos pescados no Oceano Atlântico. O "Esplanada Furnas", por exemplo, pesca o que serve aos clientes, além de possuir uma carta de vinhos com mais de 200 rótulos. Lojas de souvenir, artesanato e joalherias também fazem parte do charmoso, limpo e bem organizado centro desta freguesia portuguesa.
Treze quilômetros a sudeste de Ericeira está à vila de Sintra. Com um vasto legado histórico, a cidade é considerada pela UNESCO como "Patrimônio Mundial". Entre as construções antigas, destaque para o Palácio da Pena, o Palácio Monteserrate e o Castelo dos Mouros. Esta última fortaleza foi erguida sobre um maciço rochoso no alto da Serra de Sintra e possui uma visão privilegiada do Oceano Atlântico. No entorno de Sintra também está o Palácio Nacional de Queluz. Original do século XVIII, a construção possui arquitetura neoclássica de influências rococó. O prédio, que serviu de cárcere para a rainha Maria I, hoje hospeda chefes de estado estrangeiros que estão em visita a Portugal. É lá também que está a o restaurante "Cozinha Velha". Instalado na antiga cozinha do castelo, a casa serve receitas genuinamente portuguesas, além de iguarias típicas da região como o "cabrito assado na brasa" e o "arroz de pato".

AROMAS E SABORES

A culinária portuguesa é mundialmente conhecida pela fartura, preparos ricos em sabor e de ingredientes simples. Pratos como o "bacalhau a lagareiro", "arroz de pato", "caldo verde", entre outros, podem ser amplamente encontrados em pequenos restaurantes familiares semelhantes aos botecos brasileiros. Em Portugal estas casas são chamadas de "tascas" e podem ser encontradas de norte a sul do país. Mas as terras lusas também são reconhecidas mundialmente pela produção de vinhos. Influência das diversas civilizações que povoaram o país, a prática garante o sustento de 8% da população do país. Na região do Douro, norte de Portugal, são produzidos alguns dos vinhos mais exclusivos e requintados do mundo, como o tradicional "Porto". Mais próxima a Lisboa, a região do Alentejo é famosa pela produção de vinhos jovens que são favorecidos pelo clima mediterrâneo da localidade. Ali está estabelecida uma das mais tradicionais vinícolas de Portugal, a "Herdade do Esporão". Fundada há mais de três décadas a vinha é hoje um conglomerado empresarial que fabrica vinhos, azeites e explora o enoturismo na região. Visitas guiadas que incluem degustações de vinho e azeites movimentam a vinícola que exporta os seus produtos para mais de 40 países.
Portugal é um país plural e sua capital está cercada de atrativos que a tornam um dos destinos preferidos dos brasileiros que se aventuram pela Europa. Seja na arquitetura ou na culinária, história e modernidade se misturam nessa cidade que já pertenceu a romanos, fenícios e árabes. O que ninguém pode negar é que esta é uma cidade de infinita beleza e em eterna transformação.