Núcleo de Decoração da Bahia

Núcleo de Decoração da Bahia

Temporada das cores Temporada das cores


Ora influenciadas pelas indústrias da construção civil, da arquitetura, do mobiliário e dos eletro-eletrônicos, ora por acontecimentos políticos, econômicos ou sociais, as tendências para as cores no segmento parecem sofrer influências mil. No caso da indústria, por exemplo, a disponibilidade de matérias-primas em determinadas regiões que possuam viabilidade de aplicação comercial e possam render bons pigmentos pode gerar uma tendência.

Há quem defenda que até a moda, mudanças no comportamento humano, a mídia, e, sobretudo, grandes feiras internacionais, ditam as regras. Especialistas da Suvinil, fabricante de tintas imobiliárias do Grupo Basf, acreditam que a devastação ambiental está gerando anseio por tons de verde. Ao mesmo tempo, porém, a empresa percebeu que há desejo por tons metalizados – como cinzas e prateados, influenciados pela inserção crescente da tecnologia no cotidiano, numa espécie de “controvérsia” moderna.

O arquiteto Marlon Gama, reconhecido pelo uso constante de cores em seus projetos, reforça a importância da Feira de Milão na antecipação das cores que entram em voga a cada ano. “A feira, que acontece em abril, traz novidades não apenas no âmbito das cores, mas também dos tecidos e formas. É como se fosse a alta costura da decoração mundial e é lá que podemos perceber o que será usado”, afirma o profissional. Marlon arrisca antecipar uma tendência às vésperas do evento.

“O preto, associado ao branco em listras e estamparia Chanel, é uma tendência que está substituindo o branco absoluto e deve prevalecer ao longo do ano. A fase do branco passou porque ele não permite trabalhar bem o luxo, que pede outras texturas e possibilidades”, opina. Marlon conta ainda que constata tendências opostas nas preferências do baiano. “Há dois perfis por aqui. Um é a Bahia megacolorida das exuberantes casas de praia, onde podemos abusar das cores e outro é o clássico, leve, limpo e monocromático das residências que buscam o estilo contemporâneo”, destaca o profissional.

Já o arquiteto Luiz Humberto Carvalho, considerado o ícone da cor na arquitetura baiana, é taxativo ao dizer que prefere não falar em tendências e não vê cor como moda. Com 35 anos de carreira, Luiz Humberto nunca deixou de aplicar cores, sobretudo as quentes, em trabalhos de todo tipo: de templos religiosos a fachadas inteiras de prédios comerciais. “A natureza é colorida. Cor é vida! Para mim, é imprescindível usar cor em qualquer projeto.

A premissa do escritório é manter a cor como elemento, sem preconceitos”, exclama. E deixa escapar uma pista: os tons terra serão a bola da vez. “São fáceis de serem aplicados e oferecem risco menor”, explica. Ele concorda que o período áureo do branco ficou para trás. “Foi uma tendência cômoda e frouxa. Com o branco não existe possibilidade de erro, mas ambientes inteiramente brancos entediam”, diz. O arquiteto já chegou a ser consultado por pesquisadores e fabricantes da indústria do décor a fim de boas orientações e dicas preciosas. “Enlouqueço todo mundo! Proponho um sofá com um braço de cada cor...”, ri.

Considerada referência mundial no assunto, a cartela inglesa de cores Colour Futures, produzida pela fabricante ICI Paints, confirmou o verde denominado “cheiro-verde” como a cor do ano e o associou à cura, proteção natural, ao meio ambiente e à renovação. Lançada no Brasil pela Tintas Coral, a paleta traz 76 cores divididas por temas que refletem tendências de estilo para 2009. Outra referência de peso é a cartela nacional de cores 2008/2009.

Lançada bianualmente pelo Comitê Brasileiro de Cores, presidido pela arquiteta Elisabeth Wey, a paleta relacionou cores e comportamento humano na última edição. Seu objetivo é assinalar para profissionais do ramo as tendências que serão adotadas na fabricação de produtos para construção civil, arquitetura e decoração. O material apresentou 26 tonalidades, que variam de tons quentes a frios, contendo ainda variações de matizes metálicos.

As cores são equiparadas a temas recorrentes no mundo contemporâneo, como busca pela sustentabilidade, retorno à natureza, mundo das fantasias, diversão, ostentação, extravagância, excessos, exclusividade e poder. Pela diversidade apresentada, a cartela confirma que o momento é realmente de muita pluralidade cromática, diferentes tendências e, acima de tudo, infinitas possibilidades.