Núcleo de Decoração da Bahia

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100 anos de encantamento

Considerado o mais importante arquiteto brasileiro, Oscar Niemeyer chega aos 100 anos com lucidez, produtividade e, acima de tudo, com muita criatividade. Ao todo, seis projetos repousam atualmente na sua prancheta e devem estar concluídos no primeiro trimestre de 2008. Do início da sua carreira, em 1934, até hoje, Niemeyer concebeu e projetou os principais monumentos públicos da arquitetura modernista no Brasil e importantes edificações públicas em várias partes do mundo. Não é à-toa que, no ano do seu centenário, o país inteiro lhe rende homenagens. De reportagens e entrevistas especiais em canais abertos e fechados de televisão e em outros meios de comunicação à concessão de títulos e organização de eventos comemorativos foram e estão sendo produzidos para comemorar os seus 100 anos nos quatro cantos do Brasil. Niemeyer iniciou sua trajetória profissional no escritório de Lúcio Costa e Carlos Leão, em 1934, participando da equipe que projetou o edifício-sede do Ministério da Educação e Saúde, no Rio de Janeiro. “Não queria, como a maioria dos meus colegas, me adaptar a essa arquitetura comercial que vemos aí. E apesar das minhas dificuldades financeiras, preferi trabalhar, gratuitamente, no escritório do Lúcio Costa e Carlos Leão, onde esperava encontrar as respostas para minhas dúvidas de estudante de arquitetura. Era um favor que eles me faziam”, revela o arquiteto em muita das entrevistas concedidas recentemente. A criatura, no entanto, acabou superando o criador. A partir do instante em que substituiu Costa na coordenação do grupo que desenvolveu os estudos de Le Corbusier para o edifício-sede do Ministério da Educação e Saúde, Niemeyer passou a desempenhar o papel principal na corrente modernista que privilegiava a expressão plástica. Com Lúcio Costa desenvolveu diversos projetos, como a Obra do Berço, no Rio de Janeiro, e o Pavilhão do Brasil, na Feira Mundial de Nova Iorque. Em 1940, conhece o então prefeito de Belo Horizonte, Juscelino Kubitschek, que o convida para projetar o Conjunto da Pampulha. O seu engajamento político, porém, é mais à esquerda e, em 1945, assume-se como comunista, filiando-se ao Partido Comunista Brasileiro (PCB) e vinculando-se a Luiz Carlos Prestes. O gesto não foi bem recebido, principalmente pelos Estados Unidos que lhe negam visto um não mais tarde, quando foi convidado a ministrar curso na Universidade de Yale. Em 1947, obteve permissão para entrar no país e projetar o edifício-sede da Organização das Nações Unidas (ONU), quando, mais uma vez, teve a oportunidade de dividir com Le Corbusier a concepção do projeto. A arquitetura de Brasília, prevista nos esboços com que Lucio Costa concorreu ao concurso internacional de projetos para a nova capital do Brasil, foi o impulso definitivo de Niemeyer na cena da história internacional da arquitetura contemporânea. As cúpulas côncava e convexa do Congresso Nacional e as colunas dos palácios da Alvorada, do Planalto e da Suprema Corte, configuram signos originais. Agregandoos às espetaculares formas das colunas da Catedral e dos palácios Itamaraty e da Justiça, Niemeyer encerra a perspectiva ortogonal e simétrica formada pelo ritmo repetitivo dos edifícios da Esplanada dos Ministérios. O uso das estruturas em concreto armado em formas curvas ou em casca e as explorações inéditas das possibilidades estéticas da linha reta se traduziram em fábricas, arranha-céus, espaços para exposições, residências, teatros, templos, edifícios-sede de empresas dos setores público e privado, universidades, clubes, hospitais e equipamentos para diversos programas sociais. A presença constante de Oscar Niemeyer no cenário da arquitetura contemporânea internacional, desde 1936 até os dias atuais, o transformou em símbolo brasileiro. Recebeu inúmeros prêmios e possui vasta bibliografia, onde se destacam títulos de sua autoria, além de várias edições temáticas
das principais revistas de arquitetura da França e da Itália.

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